Quem nunca provou uma comida que imediatamente o fez lembrar com saudade de uma época da vida, pessoa ou lugar? Pode ser aquele feijãozinho com tempero que lembra o da mãe ou um doce de banana igualzinho ao que a avó fazia. Esse tipo de comida é a chamada Comfort Food, nova tendência mundial na área gastronômica.

O chef e professor da área de gastronomia do Senac Rio Preto, Rodrigo Bueno, explica que qualquer comida que desperte lembranças boas e familiares do passado ou infância pode ser considerada Comfort Food ou comida afetiva, como também é conhecida. “Quando vamos a um restaurante, comemos um prato típico de fazenda e os sabores nos transportam para antigas reuniões em família com a vovó cozinhando no fogão à lenha, em um almoço de domingo, isso é Comfort Food. Como as lembranças são individuais, a mesma comida será diferente para uma pessoa e para outra”, explica.

O chef explica que o termo nasceu nos Estados Unidos e se disseminou pelo mundo como forma de combater os fast foods e ser opção que remete à calma no cotidiano tão acelerado dos grandes centros. Segundo Bueno, a comida afetiva se divide em quatro categorias:

Nostálgica – aquelas identificadas a um período e/ou lugar significativo na história individual;

Indulgência – pratos capazes de despertar um sentimento de indulgência;

Conveniência – as fáceis de serem obtidas ou preparadas;

Conforto físico – alimentos cuja composição físico-química é capaz de gerar sensação de bem-estar.

“A Comfort Food se diferencia por se tratar de um estilo de cozinha que trabalha sentimentos bons, capazes de gerar conforto emocional”, afirma o chef. A explicação para isso, de acordo com a psicóloga do Núcleo de Atendimento Multidisciplinar da Unimed Rio Preto, Josiane P. Pedroso Pereira, “é que quando sentimos cheiros de alimentos que nos trazem lembranças de uma situação passada ou bons momentos, o cérebro, automaticamente, avisa ao organismo que essa comida faz bem. Ele faz conexão entre o sabor, aroma e a emoção correspondente, tornando-se perceptível diante de um prato que nos leva as sensações prazerosas de qualquer época da vida”, afirma.

Com o objetivo de proporcionar aos clientes saúde para o corpo e conforto para alma, o chef Rodrigo Vicentin Hernandes fundou o Nino Cozinha Afetiva, restaurante com cardápio composto por comidas “nossas do dia a dia”, como define o empreendedor. O próprio nome do negócio, Nino, é afetivo, pois é o apelido do profissional quando criança. “Os pratos levam carnes, peixes e frango orgânico e são guarnecidos com legumes, grãos e verduras. A essência é servir um alimento leve, simples e natural, com produtos cozidos, grelhados ou assados, sem frituras. O cardápio é diferente a cada dia e idealizado de acordo com o que os produtores orgânicos nos oferecem”, explica.

O chef de cozinha e sócio do espaço gastronômico Le Grand Chef, Kleber Lemechewsky, ensina a fazer comida caseira com toque afetivo por meio do curso Primeira Panela. “Ensinamos técnicas e pratos voltados mais ao dia a dia e para pessoas que não têm habilidades na cozinha. Entre eles está, por exemplo, o macarrão feito de forma artesanal, tão comum nas casas das nonnas italianas. Comfort Food é assim, a gastronomia repleta de memória gustativa, principalmente de nossa infância. São sabores e perfumes que remetem à comida caseira, muitas vezes feita por nossas mães ou avós”, explica Lemechewsky.

Espontaneamente ou elaborada com essa finalidade, a comida afetiva vai além da gastronomia, pois é capaz de trazer de volta lembranças e sentimentos bons do passado.

Um carinho para o corpo e coração .