É uma doença neurovascular que é caracterizada por crises repetidas de dor de cabeça que podem ocorrer com uma frequência bastante variável: enquanto algumas pessoas apresentam poucas crises durante toda a vida, outros relatam diversos episódios a cada mês.

Características das crises:

  • Podem durar de 4 a 72 horas se não tratadas
  • Dor latejante
  • Comum em apenas um dos lados da cabeça, mas pode comprometer os dois lados
  • Intensidade: moderada a forte
  • Agravada por atividade física ou esforço
  • Náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, barulho ou odores

As crises são classificadas conforme o grau de acometimento das atividades diárias:

Crise leve: não interfere nas atividades diárias e pode ser controlada com medidas simples como sono e repouso.
Crise moderada a forte: pode interferir ou incapacitar nas atividades diárias e exigem tratamento medicamentoso conforme orientação médica.

O tratamento envolve, principalmente, identificar e afastar-se dos fatores desencadeantes. Conheça os principais:

  • Preocupações excessivas, ansiedade, estresse, tensão
  • Sono irregular: dormir pouco, dormir muito, sonolência durante o dia, dormir e/ou acordar tarde
  • Ciclo hormonal em mulheres: período menstrual e pré – menstrual
  • Irritação e alterações de humor
  • Uso frequente de analgésicos
  • Mudança súbita de pressão atmosférica (viagem de avião)

Enxaqueca e alimentação

Mantenha o peso adequado. Estudos sugerem que tanto o baixo peso como a obesidade são fatores desencadeantes das crises de enxaqueca. Por isso,
mantenha uma alimentação equilibrada e inclua alguns alimentos que poderão reduzir a frequência das crises como:

  • Alimentos fontes de vitamina B2 (ovos, vegetais verde-escuros)
  • Fontes de magnésio (castanhas, abacate, uva passa, folhas verde escuras e bananas)
  • Fontes de zinco (carnes, peixes, aves, nozes e feijão)
  • Fontes de coenzima Q10 (sardinha, espinafre, brócolis, avelã, gergelim)

Conheça os desencadeantes alimentares mais comuns das crises de enxaqueca:

  • Permanecer em jejum por mais de 3 horas 
  • Desidratação
  • Bebidas alcoólicas
    Alimentos fontes de gordura como carnes gordurosas, frituras em geral, chocolate 
  • Frutas cítricas como a laranja, limão, abacaxi, maracujá, etc
  • Embutidos e conservas de coloração avermelhada como salsicha e linguiça que utilizam nitritos e nitratos como conservantes
  • Alimentos fontes de cafeína como café, chá mate, chá verde e chá preto, refrigerantes à base de cola
  • Sorvetes e alimentos gelados podem desencadear reflexos que levam a enxaqueca
  • Aspartame encontrado em alguns adoçantes, produtos diet e light (leia o rótulo)
  • Glutamato monossódico encontrado no shoyu e temperos prontos
  • Leite, iogurte e queijos gordurosos

Lembre-se que nem todas as pessoas são sensíveis aos mesmos alimentos. Para identificar alimentos suspeitos, adote o hábito de registrar o consumo dos alimentos que antecederam a crise e exclua-os por quatro semanas como forma de teste.

 

Fontes:
Sandor PS & col. EFNS guideline on the drug treatment of migraine – revised report of an EFNS task force. European Journal of Neurology 2009, 16: 968–981.
Oliveira MM. Factores alimentares e nutricionais implicados na fi siopatologia da enxaqueca [tese]. Universidade do Porto, 2008.
www.sbce.med.br (Sociedade Brasileira de Cefaléia)
www.drauziovarella.com.br