O aumento do número de idosos no Brasil, até bem pouco considerado um país de jovens, começa a dar lugar a outra realidade e traz a consciência de que a velhice existe e é uma questão social. O envelhecimento, enquanto etapa da vida, na concepção de muitos, ainda, é marcada como sinônimo de incapacidades, seja de ordem física ou mental, tornando os idosos improdutivos no campo econômico e social.

A sexualidade quando relacionada ao envelhecimento traduz mitos e tabus. A sociedade tem uma visão que a prática sexual na terceira idade ainda transcorre nos moldes de que a pessoa quando alcança a fase da velhice deixa de ser sexual, resultando na concepção de que idosos são pessoas assexuais. A atividade sexual para o idoso deve ser compreendida partindo do princípio de que ela se compõe da totalidade deste indivíduo, devendo ser considerado no seu sentido holístico, portanto, não somente fator biológico, como também biopsicossociocultural.

Nesta etapa da vida, muitas vezes, o corpo não responde mais ao desejo, portanto as adaptações sexuais se tornam necessárias e ajudam na expressão da sexualidade em idosos. O preconceito do sexo na velhice é adotado por se acreditar que a fase de vivenciar a sexualidade está condicionada à idade dos mais jovens.

Considerando a sexualidade em sua denominação, deve-se compreender e esclarecer aos idosos que mesmo na ausência de parceiro, a busca pelo prazer pode ser alcançada por outras formas e que sua identidade sexual não se estabelece pela presença do outro. Os fatores que podem interferir na expressão da sexualidade ou no ato sexual transcorrem pelos aspectos individuais, fisiológicos e sociais, e apesar das limitações que podem ocorrer na velhice, a satisfação sexual ainda pode permanecer.

As dificuldades na aceitação da sexualidade nessa fase podem partir tanto pela ausência de informação como no entendimento que a sexualidade esteja restrita a genitalidade, concepção essa que existe entre os idosos e sociedade. Outro aspecto considerado principalmente pelas idosas, refere-se à beleza corporal, ligada à juventude e que em virtude do avanço da idade não se sentem atraentes para terem relação sexual. A presença fixa do parceiro é referida como aspecto positivo para continuidade das relações.

Diante do avanço da ciência voltada para a sexualidade do idoso, ampliou-se a oportunidade de encontros e relacionamentos entre essa população. Estas novas formas de vivenciar o envelhecimento parecem repercutir no aumento dos casos de algumas doenças relacionadas ao sexo. Portanto, os assuntos relacionados à sexualidade nessa população, que já não tem preocupação com anticoncepção, são tratados com menor atenção, erroneamente.

A equipe de saúde precisa trabalhar conscientização desta população considerando a vida sexual do idoso como realidade, bem como sua orientação sobre medidas preventivas às infecções sexualmente transmissíveis, pois esta comunicação acaba prejudicada elevando o número de casos.

Fonte:

LAROQUE, Mariana Fonseca et al. Sexualidade do idoso: comportamento para a prevenção de DST/AIDS. Rev. Gaúcha Enferm. [online]. 2011, vol.32, n.4 [cited  2020-01-28], pp.774-780. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472011000400019&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1983-1447.  http://dx.doi.org/10.1590/S1983-14472011000400019.

Alencar DL et al . Fatores que interferem na sexualidade de idosos: uma revisão integrativa .Ciência & Saúde Coletiva, 19(8):3533-3542, 2014 DOI: 10.1590/1413